03 nov.Bebida alcoólica servida em centro espírita

Wellington Balbo

Era um alcoolista em recuperação e trazia consigo a vontade de superar a dependência química e psicológica que caracteriza aqueles que se embrenharam pelo vício da bebida alcoólica. Alguns amigos espíritas apresentaram-lhe as lições da doutrina codificada por Kardec, e esta caiu como uma luva em seu desanimado coração. E desde então dedicou-se de corpo e alma ao estudo do Espiritismo, freqüentando o Centro, assistindo as palestras e também servindo na área de assistencial social.

Todavia, com o organismo ainda intoxicado pelos anos de consumo do álcool, era com freqüência que se via tentando a dar o último gole, que em realidade não seria o último, mas o primeiro de sua recaída.

E no dia 10 de outubro de 2006, encontrou-se novamente com o vício, tomando aquele malfadado gole da recaída. Curioso notar que não fez uso da bebida alcoólica em algum bar ou lanchonete, mas sim na festa beneficente promovida pelo centro espírita que freqüentava, onde os dirigentes levaram cervejas e vinhos com a desculpa de que se não houvesse bebida alcoólica o evento ficaria às moscas. Sucumbiu justamente no lugar que deveria servir de apoio para sua recuperação.

O Espiritismo tem função sociológica das mais relevantes na sociedade contemporânea. Ao difundir a necessidade de aperfeiçoamento moral e intelectual constante do indivíduo, presta importante colaboração para que se extirpem males sociais que são responsáveis pela infelicidade e desdita de muitos povos e pessoas. E o álcool é um desses males sociais que desagregam famílias, promovendo crimes e facilitando a derrocada moral de muita gente.

A história acima, caro leitor, foi inspirada em um relato feito por um amigo, “chateado” com a iniciativa de alguns dirigentes espíritas de uma cidade de nosso Brasil, que andam promovendo festas beneficentes regadas a bebida alcoólica, com a desculpa de que se não houver bebida o evento ficará vazio.

Lamentável que isso ocorra. Mas a realidade é que os centros espíritas irão sempre refletir as tendências de suas lideranças. Se lideranças saudáveis, baseadas na legítima vontade de difundir os postulados de Kardec, teremos Centros coerentes, atuando com o bom senso ensinado pelo codificador. Contudo, se lideranças com idéias equivocadas, desvirtuando propósitos, teremos centros espíritas inabilitados a ensinar o Espiritismo.

Ao proclamar que o verdadeiro espírita é aquele que se esforça por superar suas mazelas morais, Kardec deixou claro que o Espiritismo não pede indivíduos perfeitos, mesmo porque sabe que estes não existem neste planeta, mas sim indivíduos comprometidos com o trabalho de sua melhoria íntima que redunda em melhoria coletiva. Ou seja, não obstante as nossas limitações inerentes à condição humana, podemos superar nossas más inclinações e tornar o centro espírita um local de bênçãos a refletir nosso real compromisso com a renovação.

Em relação a justificativa dos dirigentes de que se não houver bebida alcoólica o evento beneficente ficará às moscas, afirmamos que é desprovida de lógica e bom senso. O Espiritismo não tem compromisso de agradar a gregos e troianos, portanto, não há qualquer vinculo da Doutrina Espírita com bebidas alcoólicas e quantidade de pessoas que haverá em um evento beneficente. O compromisso do Espiritismo é oferecer recursos de esclarecimento para que o ser humano desperte às realidades além da matéria, educando-se a fim de compreender os mecanismos que regem as leis da vida.

O compromisso do Espiritismo é com a sociedade e sua melhoria, tudo que foge ao bom senso e propaga o vício não reflete os ideais da doutrina codificada por Kardec.

Pensemos nisso.

[tags]álcool, centro espirita, dirigentes, vício, recuperação, espiritismo[/tags]


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4 comentários para “Bebida alcoólica servida em centro espírita”

  1. RICARDO VERAS27 nov. 07 às 15:24
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    BEBIDA ALCOÓLICA SERVIDA EM CENTRO ESPÍRITA-SEM COMENTÁRIOS-

  2. Oliria06 dez. 07 às 00:22
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    realmente um centro espírita de verdade, que segue as doutrinas de Kardec, não induziria alguém ao vicio, porém, infelizmente, toda religião, doutrina, voltada para pregar sobre Deus, Jesus, caridade, enfim, tem uns maus elementos que sujam a instituição. Padres pedófilos na santa igreja católica, pastores que roubam o dinheiro dos seu fiéis, sempre tem alguém atrapalhando um bom trabalho, mas não devemos julgar todos por isso, né?

  3. Erika02 jan. 08 às 09:23
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    Tenho um pequeno conhecimento acerca do alcoolismo, e sei que o alcóolatra deve tentar conseguir evitar o primeiro gole, devendo se afastar de qualquer maneira do álcool. Não devemos culpar o centro espírita pela recaída de um de seus membros, mas com toda literatura espírita sobre os malefícios do álcool, fica difícil acreditar que um centro espírita ofereça álcool em festas, principalmente se ele o faz em festas beneficentes. Aquele que auxilia deve estender as mãos àquele que o necessita e não empurrá-lo ainda mais ao precipício!

  4. Cláudia03 fev. 08 às 17:42
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    O “SEM COMENTÁRIOS” seria perfeito se não fosse ainda necessário explicar a tantos que nada sabem… Um Centro Espírita primeiramente deve ser um local, um templo de paz e de EXEMPLOS também!!! É um hospital de almas que procuram equilíbrio e a sua razão de viver. Se os seus dirigentes que em geral são escolhidos “a dedo” pela Espiritualidade cometem esse lamentável erro, o que pensar como realmente funciona essa Casa, já que o Planeta atualmente passa por tormentas sérias e que o trabalho no BEM seria a chance de muitos espíritos não serem banidos… É como aquele velha frase tão conhecida: “O QUE FEZ DE SEUS FILHOS QUE EU VOS CONFIEIS????”

    Poderia ficar vazio no início, mas aos pouquinhos pelo seu trabalho no BEM tudo iria se enquadrar.
    Quanto a JULGAMENTO nem há o que dizer… A nossa consciência é o nosso juiz!! Ou a cada cabeça uma sentença.




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