19 nov.Crianças Índigo Não Existem
Fonte: Revista Universo Espírita.
Por Paulo Henrique de Figueiredo
Uma criação do mercado de auto-ajuda norte-americano confunde pais e professores misturando misticismo e educação.
De vez em quando surge um modismo. Um dos atuais são as crianças índigo. A idéia surgiu entre palestrantes de auto-ajuda norte-americanos.
Criança índigo é uma hipótese criada por Lee Carroll e Jan Tober em suas palestras. Eles leram um livro sobre cores de “auras”, escrito pela espiritualista Nancy Tappe em 1982, no qual a escritora imaginou o surgimento de crianças superdotadas relacionando suas auras com a cor índigo, ou azul-escura.
Carroll e Tober acreditam que esses seres finalmente chegaram. As crianças índigo seriam líderes de uma nova civilização. O mundo será transformado por elas e então surgirá uma nova era. Outro palestrante de auto-ajuda, Robert Gerard, opina: “Os índigos vieram para servir ao planeta, aos pais e aos amigos como emissários do céu e disseminadores da sabedoria. Para mim são emissários do criador“.
A Nova Geração
Mas o que interessa esse tema ao Espiritismo? Desde 1868, os Espíritos anunciaram no livro A Gênese a chegada da uma nova geração. Pode-se considerar a percepção dos norte-americanos quanto a essa mudança a constatação de um fato natural: “A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito toda geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas. A época atual é de transição, assistimos à partida de uma e à chegada da outra“.
Até aqui, tudo bem, mas segundo os escritores que defendem as crianças índigo elas são identificadas como extremamente inteligentes, só que também agem com orgulho, agressividade e prepotência. Na descrição feita pela Doutrina Espírita, conforme descrito em A Gênese, a nova geração se destaca pelo “sentimento inato do bem e nas crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento interior“.
A marca da Nova Geração é a Fraternidade.
A descrição das crianças índigo revela seres com um grande desenvolvimento intelectual, mas com imaturidade emocional ainda maior. Elas não têm paciência com os mais simples, preferem o isolamento, são dispersas, ficam traumatizadas quando erram e frustradas quando suas idéias não são aceitas. A mãe de uma delas descreve: “Desde a pré-escola tinha sido hiperativo, respondia mal aos professores, queria fazer tudo à sua maneira e era manipulador, percebendo a maneira de ser das pessoas e usando isso contra elas“, conta no livro Criança Índigo de autoria de Lee Carroll e Jan Tober.
“Se uma delas é trancada em um quarto, irá rabiscar as paredes e arrancar os tacos ou o carpete do chão. Tornam-se destrutivos“, afirma a espiritualista Nancy Tappe, na mesma obra.
Com o Rei na Barriga
Ryan Maluski é um jovem de 20 anos considerado índigo por Caroll e Tober. “Desde pequeno me senti muito diferente e só. Se quiser uma descrição ainda mais precisa, me sentia como um rei trabalhando como empregado e tratado como escravo“, relata. Quando tinha 2 anos, Ryan visitou o circo com os pais: “Veja os palhaços e os elefantes!”, disse sua mãe bastante animada. Inesperadamente seu filhou lhe virou um tapa no rosto, e continuou a assistir ao espetáculo. O mais incrível é um médico ter repreendido a mãe por ter estimulado a criança. “Da próxima vez, deveria deixá-lo mais à vontade para fazer as coisas ao seu modo“, afirmou (!).
Liberdade e falta de educação são coisas diferentes. Educar significa saber quando dizer não e quando dizer sim. Limites são balizas da educação. Parece que a cultura norte-americana está perdendo completamente essa noção.
Um comentário de Nancy Tappe é surpreendente: “Todas as crianças que mataram colegas de escola ou os próprios pais, com as quais pude ter contato, eram índigos. Trata-se de um novo conceito de sobrevivência. Todos nós possuíamos esse tipo de pensamento macabro quando crianças, mas tínhamos medo de colocá-lo em prática. Já os índigos não têm esse tipo de medo“, relata no livro Criança Índigo.
Uma Proposta Perigosa
Crianças índigo não existem! Em verdade, são espíritos com a missão de superar seu exaltado orgulho, aproveitando as últimas chances neste planeta para mudar de rumo. Os pais devem esclarecer a relativa importância do desenvolvimento intelectual quando a evolução moral é negligenciada. O educador desatento, entregue às falsas idéias sobre crianças índigo, poderá considerar o autoritarismo e malcriação como indício de superioridade. Terrível engano! Agem ainda pior os pais que, obedecendo ao modismo, exibem seus filhos com orgulho, declarando serem índigos. A criança pode até fingir não perceber quando é elogiada. Parece distraída enquanto os pais contam os feitos maravilhosos tomando café com as visitas. Contudo, está atenta, e a tudo observa. Ao perceber que seu comportamento contenta os pais, ela repete e os acentua, condicionando ainda mais seus hábitos presunçosos.
Este é um dos maiores perigos da tese das crianças índigo: quando os pais se deixam manipular pelos filhos, seduzidos pelas habilidades intelectuais precoces, eles estão falhando em sua missão educativa.
Modismos continuarão existindo. De olho nas vendas, autores norte-americanos já inventaram as crianças crystal. E a mais recente descoberta são as rainbow, ou “crianças arco-íris” como ficarão conhecidas em nossas terras se aqui aportarem.
Se lidos esses livros, como todos, é necessário separar o joio do trigo. E sem bom senso para distinguir um de outro, corre-se o risco de ser arrebatado pelo canto da sereia do falso profetismo, como adverte o Evangelho: “Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas e, porque abundará a iniqüidade, a caridade de muitos esfriará” (Mateus, 24:11).
A Missão dos Pais
A regeneração do planeta não se dará por uma simples substituição dos espíritos atrasados por superiores vindos do espaço. O mundo futuro “não se comporá exclusivamente de espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as idéias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração“, completam os Espíritos, também em A Gênese.
Todo pai quer ver em seu filho uma criança especial ou justificar sua frustração diante de crianças difíceis. Isso explica o sucesso dessas idéias. Mas qual criança não é especial? Todas elas nos desafiam a perceber seus valores e distinguir seus defeitos no trabalho da educação. A vida no lar é a oportunidade para pais e filhos compreenderem suas almas. Mas ninguém vira santo do dia para a noite. O começo é uma mudança de propósitos:
“A regeneração da humanidade não exige absolutamente a renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação em suas disposições morais. Essa modificação se opera em todos quantos lhe estão predispostos, desde que sejam subtraídos à influência perniciosa do mundo. Assim, nem sempre os que voltam são outros espíritos; são com freqüência os mesmos, mas pensando e sentindo de outra maneira“, conclui Allan Kardec, num dos últimos parágrafos de A Gênese.
E os incrédulos que acham tudo isso motivo de riso? Estes, diante da morte, “viverão, a despeito de si próprios e se verão, um dia, forçados a abrir os olhos“. E com essa frase Kardec encerra o livro.
Crianças de um Mundo Novo
As crianças do mundo regenerado serão espíritos sem preconceitos, criativas, inteligentes e amorosas. Diante de pessoas menos inteligentes agirão com humildade, valorizando-as para que se sintam melhores. Despreocupadas de si mesmas, voltarão sua atenção para auxiliar exatamente os menos capacitados, os reconhecendo como iguais, por terem os mesmos valores em potencial nas almas - as diferenças restringem-se à idade do espírito, alguns são mais velhos e outros mais novos. A atitude dessas crianças será de respeito, esperança e compaixão. Acima de tudo, seu lema será a fraternidade. Seus instrumentos serão caridade, diálogo e senso de justiça.
Leia também: Crianças índigo: uma simples opinião
Comentários
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Interessante a palestra do Divaldo Franco com relação ao tema, para quem quiser somar dados sobre o assunto:
http://www.youtube.com/watch?v=hZVd8ea10Io
Boa tarde Marcelo.
O texto é muito bom, porém está contrário ao que diz Divaldo em seu site:
http://www.divaldofranco.com/noticias.php?not=42 (suponho que o texto no site seja de Divaldo mesmo).
Talvez a tese das crianças índigo seja um pouco sensacionalista, mas tem muita coisa em comum com o que Divaldo diz.
Qual a sua opinião a respeito?
Fraternal abraço.
Junior
O artigo de Paulo Henrique Figueiredo está muito bem escrito e é bastante esclarecedor. Essa tese do mercado editorial americano, perde substância se analisada á luz da razão e do bom senso (como kardec recomenda na codificaçâo). CRIANÇAS AUTORITÁRIAS E PREPOTENTES, NÃO PRECISAM DE ENDEUSAMENTO, PRECISAM É DE EDUCAÇÃO, LIMITES E BONS EXEMPLOS. A ABORDAGEM DO NOSSO DIVALDO AO SABOR DE SUA EMOTIVIDADE, NÃO CORROBORA INTEGRALMENTE ESSAS TESES. ME PARECE QUE ELE APROVEITA O TEMA (QUE É MUITO CONHECIDO), PARA FALAR DA REGENERAÇÃO PLANETÁRIA QUE JÁ ESTÁ EM CURSO. LEMBREMOS TAMBÉM QUE NO NOSSO MOVIMENTO ESPÍRITA, NÃO EXISTE INFALIBILIDADE, COMO EX NO MEIO CATÓLICO (A INFALIBILIDADE PAPAL). DIVALDO PODE SIM SE EQUIVOCAR, POR QUE NÃO?
PAZ E LUZ A TODOS!
Ricardo,
Na realidade, o que eu quis dizer que Divaldo é contrário a opinião é com relação a afirmação que crianças indigo não existem, porém ele também não afirma que elas existem, em todo o momento ele cita os estudos, e dá sua opinião a respeito do tema/tese. Porém, para mim, longe de querer comparar os autores, Divaldo tem mais crédito porque o conheço há mais tempo, não significa que Paulo Henrique não tenh crédito, apenas não conheço sua linha de estudos.
Abraços fraternais.
Junior
Amigos, o Divaldo é o maior orador espírita do mundo, é psicógrafo de 200 livros, mantém uma mega instituição e sua mentora é um espírito que participou da codificação Kardequiana. Vejam como ele é sensato e o seu fruto é positivo.
Porque ele faria uma palestra enganosa nesse sentido?
Diversas de suas palestras são finalizadas por orações do venerável médico dos pobre Dr. Adolfo Bezerra de Menezes. Trabalhou diversos anos com o Apóstolo do Amor, o iluminífero Francisco Cândido Xavier. Além de ler na página do Divaldo, ouvir a palestra eu li o livro.
Dizer que não existem essas crianças é dizer que Divaldo é mentiroso, e, embora ele faça brincadeira sem maldade não mentiria nesse tema.
Outra hipótese é o Divaldo estar enganado e nesse caso eu prefiro me enganar com ele visto que o fruto do seu trabalho é bom e suas palestras estabilizam meu mundo íntimo toda a manhã.
Paz e iluminação interior para vocês.
Leonardo, esse é o ponto. Divaldo tem mais credibilidade para mim, embora eu não ache que Paulo Henrique não a tenha. Mas todos conhecemos o trabalho de Divaldo, portanto também acredito que ele não faria palestras nem colocaria informações em seu site sem algum fundamento.
Abraços fraternais.
Junior
Alguém que recebe Bezerra, Léon Denis, Victor Hugo e tantos outros espíritos de ordem elevada, merece nosso respeito. Divaldo tem acesso ao plano superior, isso é incontestável. No entanto não podemos endeusá-lo. Infalível na Terra só existiu um: Jesus Cristo.
Portanto julgo que usar de bom senso, como Kardec recomendou, é o melhor a se fazer.
Dito isto, eis minha “sentença“:
Ninguém em sã consciência pode conceber que uma criança com tantos desajustes, como irritação emocional, orgulho, agressividade, prepotência, comportamento destrutivo e tantos outros distúrbios, pode ser um espírito preparado para nos ajudar em nossa evolução. É bem o contrário. Ele é quem precisa de ajuda.
Veja lá em A Gênese: “a nova geração se destaca pelo sentimento inato do bem e nas crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento interior”.
Nenhuma dessas crianças apresentam sentimento inato do bem, portanto não fazem parte da nova geração. Ou vocês preferem Divaldo a Kardec? Segundo a lógica e a razão, esses espíritos estão recebendo uma última chance, já que a Terra vai deixar de ser um planeta de provas e expiações. Ou esses espíritos rebeldes, orgulhos, agressivos, prepotentes, etc., et cetera, se modificam, ou então reencarnarão em planetas mais atrasados.
Aliás, tenho uma pergunta: a criança que não apresenta nenhum desses desajustes comportamentais, que tem sentimento inato do bem, é o quê? A reencarnação de Jesus?
Mas o que mais me admira é ver um espírita acreditar numa mera suposição que nasceu da mente de um engenheiro e de uma cantora de jazz sem qualquer conhecimento da espiritualidade.
Então o plano superior decide enviar espíritos de “ordem elevada” (?) para nos ajudar e escolhe esses dois para dar a notícia? E como fica Kardec nessa história quando deixou claro que uma nova mensagem para ser aceita como verdade deve ser recebida por vários médiuns em várias partes do mundo?
Não lembro de ter lido qualquer mensagem que menciona crianças inteligentes e desequilibradas chegando para nos ajudar. Portanto, e essa é minha conclusão: o Espiritismo não tem que se ocupar com essas coisas. Isso é invenção do mercado norte-americano.
Ora, Lee Carroll e Jan Tober lançam um livro com uma hipótese e de repente vira o grande plano de Deus para a humanidade?
Sinceramente, se for para acreditar nisso, com tantos conflitos que essas crianças trazem, é mais fácil acreditar que “crianças índigo” é o grande plano das trevas para destruir a Terra.
OK, pode ser um exagero, mas essa teoria é tão inconsistente, tão incoerente com a Doutrina Espírita, que não é nada difícil inverter a situação.
Olha aí o comentário de Nancy Tappe: “Todas as crianças que mataram colegas de escola ou os próprios pais, com as quais pude ter contato, eram índigos (…)” Alguém realmente acredita que uma criança assim é um anjinho que venho ajudar o progresso da humanidade?
Prefiro pensar que são espíritos com a missão de superar seu exaltado orgulho, aproveitando as últimas chances neste planeta para mudar de rumo, como bem coloca Paulo Henrique.
Sabe que eu tive uma idéia agora, acho que vou escrever um livro: “Crianças índigo, o plano secreto do Diabo”. Vou ficar rico! Alguém quer fazer o prefácio? O livro terá 666 páginas. :-D
[...] Dizem, os que apóiam a tese dos índigos, que eles vieram para nos ajudar a evoluir. Então, pergunto: qual é a criança que NÃO nos ajuda a evoluir? [...]
Peço desculpas aos amigos se me fiz mal compreendido. Não estou plenamente de acordo com a tese das crianças índigo, apenas acho-a interessante, do meu ponto de vista. Não acredito em terias sobre o (ou os) Messias que vem para salvar o mundo, mas acredito que o mundo está em evolução. É notório que as crianças estão mais espertas e inteligentes. Mas será que isso significa que moralmente estão mais evoluídas? Nem sempre. Conheço diversas crianças que me surpreendem a cada dia, mas entre ela só tem uma que admiro pela sua evolução espiritual, sendo que com 10 anos de idade tem iniciativas que eu com 35 não tenho. Apenas citei Divaldo porque conheço seu trabalho e não conheço o de Paulo Henrique. O próprio Divaldo não se coloca a altura de Kardec, portanto não tem como colocá-lo à frente, mesmo admirando-o como admiro, e nem mesmo colocá-lo a altura de Jesus Cristo, pois ainda não atingi tão nível de insanidade… :-D
Abraços fraternais.
Gostei muito do seu texto. Achei as palestras do Divaldo um pouco perigosas sobre o assunto índigo. Fica parecendo uma nova raça escolhida, superior, um caminho perigosos de ser seguido. Acho que devemos evitar esses transtornos coletivos de que o filho da gente é um escolhido, um ser especial, reflexo de uma continuidade egóica, que é nossa. Acho que os índigos são um tipo de personalidade que deve ser educada, o aprendizado deles neste mundo é até maior. Neste sentido, seu texto foi bem importante para colocar um ponto em certos fanatismos.
Na minha opinião, as crianças índigo são crianças que trazem com elas uma vivência anterior aflorada em idade ainda tenra. Pode ser uma carga genética, mas pode ser uma carga espiritual. Como a ciência até hoje não consegue provar se há uma ligação entre a genética e a alma, fica tudo no talvez. Mas crianças que são inteligentes e são também super ativas e por isso são revoltadas quando não perigosas no ponto de vista de querer destruir, talvez não sejam crianças indigo e sim pode estar havendo um problema de disturbio de comportamento ou de personalidade que existe também e não tem nada com criança indigo. Não devemos generalizar.