28 jan.Dogma e o Espiritismo
Dogma na sua acepção original grega e latina significava uma convicção, um pensamento firme. Posteriormente a palavra passou a significar verdades indiscutíveis de uma doutrina religiosa. O Dicionário Aurélio o define como “ponto fundamental e indiscutível de uma doutrina religiosa e, por extensão, de qualquer doutrina ou sistema.” A Enciclopédia e Dicionário Internacional W. M. Jackson caracteriza-o como “artigo de crença religiosa ensinado com autoridade e dado como sendo de uma certeza absoluta.”
O dogma, considerado imparcialmente, constitui desafio e castigo simultâneos. Desafio à inteligência investigadora e construtiva, para que se dilate no mundo a noção do universo infinito, e castigo às mentes ociosas que renunciam levianamente ao dom de pensar e decidir por si mesmas as questões sagradas do destino.
O Espiritismo não possui dogmas de fé. Kardec, com a experiência de educador que possuía, inspirado e auxiliado pela falange de espíritos superiores liderada pelo Espírito da Verdade, compilou em sete obras básicas a Doutrina Espírita ou Doutrina dos Espíritos, como muito propriamente a chamava, por ser ela constituída em sua maior parte pelas respostas que aqueles nobres espíritos deram às perguntas criteriosamente colocadas por ele e por respeitáveis estudiosos que com ele trabalharam.
As obras fundamentais do Espiritismo são:
O Livro dos Espíritos (1857)
O que é o Espiritismo (1859)
O Livro dos Médiuns (1861)
O Evangelho segundo o Espiritismo (1864)
O Céu e o Inferno (1865)
A Gênese (1868)
Obras Póstumas (1890)
Nesta ordem, as sete obras compõem um completo conjunto didático que leva o leitor a uma reflexão séria e cautelosa sobre os principais temas existenciais que sempre empolgaram a mente humana. Nada ali é tratado como dogma. Cada princípio colocado é examinado à luz da razão, da lógica e do bom senso. Nada se pede ao leitor que aceite sem pensar.
Comentários
1 comentário para “Dogma e o Espiritismo”
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o texto nao eh meu mas eu concordo.
do Lat. dogma , obviamente um mal entendido quanto ao criterio Karquiano de nao se acreditar em tudo que os Espiritos dizem. Kardec foi considerado dogmatico por que tinha uma doutrina, uma exposicao sistematizada de principios concatenados de forma logica que explicavam fenomenos estranhos e davam razao `a vida, `as vicissitudes de nossa existencia e a existencia do Ser. Os outros nada disso explicavam. E’ importante, assim, dar o significado real `a palavra dogmatismo. Os principios espiritas e das ciencias bem fundamentadas como a Fisica, a Quimica a Biologia nao sao dogmaticos porque se assentam em fatos naturais, acessiveis a observacao de todos, e sujeitos ao julgamento livre. Por outro lado, uma crenca baseada na tradicao ou na autoridade de certos individuos pode ser considerada dogmatica. E’ por isso que Kardec chama de doutrina dogmatica a que fixa um destino irrevogavel para a alma apos a morte (Ver Obras Postumas, primeira parte, As cinco alternativas da Humanidade. Vejamos tambem a questao n. 171 em O Livro dos Espiritos: >. Obviamente, a palavra dogma aqui e’ usada no sentido de `principio’ ou ideia base. Essa diferenca fundamental entre os dois sentidos da palavra dogma e’ que gera a distincao entre “fe’ cega” e “fe’ raciocianada”, esta ultima caracteristica do Espiritismo.