22 ago.Em busca da origem da matéria

Matéria quintessenciada.
Em busca da origem da matéria.
Átomo com vontade própria?

Por Carlos de Brito Imbassahy

Dos inúmeros assuntos que têm despertado curiosidade na internet, correlatos com observações feitas a Kardec pelos Espíritos, uma delas é aquela na qual eles afirmam, ainda no século dezenove que a matéria existe de uma forma quintessenciada que “vós outros ainda não podeis compreender”.

A pergunta que se tem feito é se os Espíritos são compostos ou formados por esta “matéria quintessenciada”. Evidentemente, pressupondo que se trate de algo fora do nosso domínio universal.

E tal como esta afirmativa, algumas outras que, de passagem, podem ser abordadas, ante as novas  descobertas dentro da Astrofísica.


Primeiramente, quero informar que vou comentar o assunto como Físico e não como espírita, porque, para mim, a Física é fundamental e o Espiritismo uma decorrência complementar que só tem lógica e aceitamento porque é altamente coerente com os princípios científicos conhecidos na atualidade.

Assim, o que se pode dizer, em nome da Ciência, é que, até a presente data não temos a mínima condição de saber qual seja a origem dos Espíritos nem o que sejam eles. Muito menos porque existem; sendo que nós somos um deles.

Apenas, pode-se garantir que haja um domínio de existência onde eles existam, o que já é admitido pela teoria dos agentes estruturadores, também conhecidos como frameworkers.

Em Física, nada se afirma sem a prova competente. Sem o resultado da pesquisa comprovando sua veracidade. O que os Espíritos disseram a Kardec é meramente informativo; admita-o quem o quiser. Por isso, merece uma apreciação insólita dentro dos atuais conhecimentos. E é o que faremos.

Com relação à matéria quintessenciada (antecipada a Kardec pelos Espíritos), recentemente, numa entrevista à mídia, um grupo de Palomar, estudando a “teoria do nada”, garantiu que existe um peso sem massa que atua no universo. O que, evidentemente, em princípio, iria ferir as leis da gravidade.

Em particular, para nós, seria a ação da Espiritualidade. Os cientistas estão chegando lá. Só que ainda não conseguiram entender a existência desse domínio - que seria o espiritual - fora da existência cósmica de nosso universo e do espaço sideral.

Analisemos as descobertas científicas: Tudo começou quando o observatório Keck II do Haway detectou a formação de um sistema planetário (contrariando as afirmativas de Emmanuel de que nosso planeta seria uma bola de fogo desprendida do Sol) em torno da estrela Alfa Centaurus a partir da ação de uma força estranha ao Universo atuando em sua poeira cósmica.

A origem dessa força (ou peso sem massa) é, ainda, inteiramente desconhecida dos cientistas, por falta de condição de pesquisa e, como tal, se, de fato, provém da Espiritualidade, ou de qualquer outro domínio, o que se pode garantir é que ela seja a verdadeira responsável pela estruturação material. Senão, como justificaria a descoberta de Murray Gell Mann nos aceleradores de partícula? Aquela onde ele garante que as partículas elementares do átomo têm vontade própria, comando exterior ao universo (os frameworkers) e jamais poderiam existir se, sobre o domínio energético (material) de nosso universo não atuassem “agentes estruturadores” capazes de modular a energia cósmica e transformá-la em partículas atômicas.

Sten Odenwald, também de Palomar, nesse estudo, foi o primeiro cientista, desconhecendo Kardec, a falar cientificamente da matéria quintessenciada e sua existência no Universo e que justificaria a sua formação, referindo-se à matéria escura recentemente detectada pelos astrofísicos.
 De fato, esta matéria, como alegaram os Espíritos a Kardec, jamais poderia ser, sequer, suposta àquela época e que, só com os novos dispositivos e aparelhos de pesquisas teria condições de ser detectada.
 Pouco se sabe sobre ela, mas, garanto que nada tem que ver nem com a formação do Espírito nem com a composição do perispírito, como muitos têm afirmado. Seria mais um “estado físico” da energia. Algo completamente novo e que exige que se faça melhor estudo a seu respeito. Sua origem ainda é extremamente ignorada.

Já quanto à origem do Espírito, apresento a posição de um grande físico japonês falecido, chamado Hideki Yukawa, que equacionou a existência dos mésons, determinando sua existência que, posteriormente, foi comprovada por Cesar Lattes, nosso grande físico, que fotografou tal partícula em um novo “ciclotron fermi”. Para o cientista japonês, Deus (ou o Criador do Universo - ou, ainda, o Agente Supremo do Universo, causa fundamental da sua existência) teria criado o Universo para corrigir o que atualmente chamamos filosoficamente de “mal” ou, simplesmente, as imperfeições a serem consertadas. Sua grande contribuição, todavia, foi a de criar a hipótese de que o méson seria a ligação da partícula elementar do átomo com sua “vida” espiritual.

Amit Goswami, este cientista indiano da atualidade, da escola de Bose e que está em foco, segue a mesma linha, com algumas diferenças peculiares, influenciadas pela formação hinduísta do seu país, diferenciada do zen-budismo e da taoísmo imperante no Japão.
 Para eles, toda a criação - o Espírito como agente e a matéria (universo) como meio - foi a maneira pela qual o Supremo Agente da formação universal teria encontrado para corrigir o erro (ou mal) existente.
 Lembrando que, para o Hinduísmo, a “santíssima trindade” seria constituída de Krishna (Cristo), o guia supremo do planeta, Yésu (Jesus), o filho da Criação e Brahma (diferenciando-se do Espírito Santo), o poder da criação divina.

Então, os Espíritos teriam sido criados simples e com o livre-arbítrio para evolverem a seu critério, assimilando o mal como forma de combatê-lo, tal como o pano absorve a água para secar a superfície. E depois, espremer-se o pano para secá-lo.

Joguem fora qualquer informação que esteja a serviço do anti-Espiritismo, a começar pelos livros de Kardec traduzidos com deformações, como sói ocorrer, principalmente, na “Gênese”, modificados à conveniência de suas hipóteses. E, por outro lado, se Evangelho fosse a solução do mal, existindo há dois mil anos, já teria corrigido a sociedade que o prega; pelo contrário, só tem disseminado discórdia, tais como a revolução fratricida da Irlanda, a noite de São Bartolomeu, a Santa Inquisição, as Cruzadas, sem falar no “Maiflower”.

Em momento nenhum Kardec fundamentou a codificação nos seus textos. Basta ver a definição dada e contida no preâmbulo do seu livro “O Que é o Espiritismo”. E que, justamente por isso, é excluído da relação que os evangélicos fazem. O que não significa dizer que estejamos negando Jesus como um dos guias supremos e missionário da Criação, como tantos outros que já existiram trazendo ao nosso planeta os ensinamentos divinos da Criação.

O que cabe destacar aqui é que a matéria, sem dúvida, é uma forma existencial de energia (já Einstein provara que a matéria era a condensação da energia e, como tal, efeito, equacionando esta correlação na expressão E = mc²) e que a matéria quintessenciada seria algo diretamente ligado a “agentes estruturadores” estranhos ao Universo.

As pesquisas continuam. O que temos que fazer é aguardar os resultados delas; porém, se o Espiritismo não se enquadrar nos desígnios de Kardec e mudar suas tendências para uma nova fase, como doutrina de evangelização, voltaremos a ser mais um culto cristão que não merecerá a mínima atenção dos cientistas para que possamos transmitir a eles as mensagens que os Espíritos legaram a Kardec porque, para tal, é preciso que haja coerência de informações científicas e não estabelecimentos doutrinários religiosos atribuindo a Deus a culpa da existência de tudo.

Tudo indica que os estudos de Kardec, embora pregados no século dezenove, são altamente indicados para análise de nossos cientistas atuais, mas, que sejam os elaborados por ele e não os deturpados, na atualidade, pelos conceitos cristãos dos que querem transformar a doutrina em mais uma seita evangélica, tirando-lhe a verdadeira finalidade de servir à Ciência, transmitindo aos seus pesquisadores os verdadeiros ensinamentos de Jesus.


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