17 abr.Espiritismo e evolução

Por Wellington Balbo

Nasceu no dia 12 de fevereiro de 1809 em Shrewsbury, Inglaterra. Aos dezesseis anos ingressou na universidade de Edimburgo a fim de estudar medicina, não se aprofundou, considerava anatomia extremamente maçante. Foi para Cambridge com o intuito de ser sacerdote, todavia, definitivamente sua vocação não era aquela, preferia cavalgar ao invés de estudar, mesmo assim, conseguiu impressionar um de seus professores e foi recomendado para o posto de naturalista naquela que seria uma das grandes viagens da história da humanidade.

Em 1831, partia o navio Beagle que custou cinco anos para dar a volta ao mundo.

O rapaz então com 22 anos ia observando e anotando tudo que via; o navio passeava em ritmo lento pelas ilhas de Galápagos e do Atlântico Sul, e assim, ele pôde vislumbrar tribos, fósseis e infinitas maravilhas naturais.

O naturalista Charles Darwin voltou para casa em 1836 e suas anotações referentes à viagem deram início a uma série de livros que lhe possibilitaram grande reputação como biólogo, porém, o mais estrondoso estava por vir.

Em 1858, Darwin revisava sua grande obra - sobre a origem das espécies - sabia ele que necessitava de todo cuidado e de grande número de subsídios para que sua tese fosse aceita pela comunidade científica.

Como provar para a arcaica mentalidade da época que todos os seres fazem parte de um grande processo evolutivo?

Foi ai que em 1858 Darwin recebeu um manuscrito do naturalista britânico Alfred Russel que assim como ele também havia desenvolvido a teoria da evolução das espécies.

Darwin não teve dúvidas, juntou o manuscrito de Russel e o esboço de seu livro e apresentou a comunidade científica, a partir disso, o naturalista foi pródigo em pesquisar, escrever e estudar sobre a origem do ser humano.

Asseveramos que suas teorias foram incansavelmente debatidas, questionadas e aceitas por grande parte dos estudiosos do assunto. Obviamente aqueles em que o preconceito estava arraigado, entranhado, não fora possível conceber a lógica e a beleza da teoria Darwiniana.

Prezado leitor, note as datas, o livro de Darwin sobre a origem das espécies foi publicado apenas no ano de 1859.

“O Livro dos Espíritos”, uma das obras básicas da Codificação Espírita, fora publicado em 18 de abril de 1857, ou seja, precedeu a teoria de Darwin.

Para tanto, convido o leitor amigo a estudar o capítulo onze de “O Livro dos Espíritos” que nele encontrará referências sobre nossas origens, sobre nossos primórdios, nos mostrando com clareza que somos fruto de intenso labor da natureza, que já atravessamos estágios inferiores e que nos serviram de base para que hoje exercitemos o pensamento contínuo.

Prova da excelência de Deus que em sua infinita bondade não deixa que nada fique estagnado, parado, inapto a prosseguir caminhando.

Tudo se encadeia em completa perfeição, na mais sublime sinfonia, convidando-nos a profundas reflexões: Deus não nos fez melhores ou piores que ninguém, nos criou simples e ignorantes para que ao longo dos milênios e após termos conquistado a capacidade de pensar, possamos através de nosso próprio esforço nos apossarmos de virtudes e valores que nos farão seres completos e aptos a auxiliá-lo no governo de sua sublime obra.

Fato incontestável de que nos ama em igualdade e que nos dá as mesmas chances de progresso.

Problema é que por vezes temos a visão embaçada e consideramos que é Deus quem não nos ama, quando na realidade somos nós mesmos que nos relegamos ao abandono.

Comportamento que se reflete com a famosa tendência de sentir-se preterido pela ordem divina, exclamando frases do tipo: Por que tudo para ele e nada para mim? Oh meu Deus, como sofro! Quanta injustiça da vida!

Após a depressão, a tristeza e a angústia que nos impedem de ver a bondade divina, muitos caminham apáticos por ignorarem seu valor e o papel que vieram desempenhar no mundo, sentem-se diminuídos frente a posição social, ética e cultural que por hora ocupam.

Precisam saber que estamos todos sem exceção em metamorfose, andando, aprendendo e evoluindo…

Amigo leitor, somos obra divina, em constante mutação, transformando-nos sempre para melhor, e graças a Darwin, Russel e Kardec, podemos compreender com melhor precisão nosso abençoado papel na ordem das coisas. Pensemos nisso!

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