26 ago.Inveja (1)

InvejaA inveja sempre foi uma emoção sutilmente disfarçada em nossa sociedade, assumindo aspectos ignorados pela própria criatura humana. As atitudes de rivalidade, antagonismo e hostilidade dissimulam muito bem a inveja, ou seja, a própria “prepotência da competição”, que tem como origem todo um séqüito de antigas frustrações e fracassos não resolvidos e interiorizados.

O invejoso é inseguro e supersensível, irritadiço e desconfiado, observador minucioso e detetive da vida alheia até a exaustão, sempre armado e alerta contra tudo e todos. Faz o gênero de superior, quando, em realidade, se sente inferiorizado; por isso, quase sempre deixa transparecer um ar de sarcasmo e ironia em seu olhar, para ocultar dos outros seu precário contato com a felicidade.

Acreditamos que, apesar de a inveja e o ciúme possuírem definições diferentes, quase sempre não são diferenciadas ou corretamente percebidos por nós. As convenções religiosas nos ensinaram que jamais deveríamos sentir inveja, pelo fato de ela se encontrar ligada à ganância e à cobiça dos bens alheios. Em relação ao ciúme, os padrões estabeleceram que ele estaria, exclusivamente, ligado ao amor. É por isso que passamos a acreditar que ele é aceitável e perfeitamente admissível em nossas atitudes pessoais.

Analisando as origens atávicas e inatas da evolução humana, podemos afirmar que a emoção da inveja não é uma necessidade aprendida. Não foi adquirida por experiência nem por força da socialização, mas é uma reação instintiva e natural, comum a qualquer criatura do reino animal. O agrado e carinho a um cão pode provocar agressividade e irritação em outro, por despeito.

Nos adultos essas manifestações podem ser disfarçadas e transformadas em atos simulados de menosprezo ou de indiferença. Já as crianças, por serem ingênuas e naturais, mordem, batem, empurram, choram e agridem.

A inveja entre irmãos é perfeitamente normal. Em muitas ocasiões, ela surge com a chegada de um irmão recém-nascido, que passa a obter, no ambiente familiar, toda atenção e carinho. Ela vem à tona também nas comparações de toda espécie, feitas pelos amigos e parentes, sobre a aparência física privilegiada de um deles. Muitas vezes, a inveja manifesta-se em razão da forma de tratamento e relacionamento entre pais e filhos. Por mais que os pais se esforcem para tratá-los com igualdade, não o conseguem, pois cada criança é uma alma completamente diferente da outra. Em vista disso, o modo de tratar é consequentemente desigual, nem poderia ser de outra maneira, mas os filhos se sentem indignados com isso.

A emoção da inveja no adulto é produto das atitudes internas de indivíduos de idade psicológica bem inferior à idade cronológica, os quais, embora ocupem corpos desenvolvidos, são verdadeiras almas de crianças mimadas, impotentes e inseguras, que querem chamar a atenção dos maiores no lar.


O Mestre de Lyon interroga as Vozes do Céu: “Será possível e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas?” E elas, com muita sabedoria, informam: “(…) Há, no entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da sociedade (…) São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja…”

A necessidade de poder e de prestígio desmedidos que encontramos em inúmeros homens públicos nas áreas religiosa, política, profissional, esportiva, filantrópica, de lazer e outras tantas, deriva de uma “aspiração de dominar” ou de um “sentimento de onipotência”, com o que tentam contrabalançar emocionalmente o complexo de inferioridade que desenvolveram na fase infantil.

Encontramos esses indivíduos, aos quais os Espíritos se reportam na questão acima, nas lutas partidárias, em que, só aparentemente, buscam a igualdade dos “direitos humanos”, prometem a “valorização da educação”, asseguram a melhoria da “saúde da população” e a “divisão de terras e rendas”. Sem ideais alicerçados na busca sincera de uma sociedade equânime e feliz, procuram, na realidade, compensar suas emoções de inveja mal elaboradas e guardadas desde a infância, difícil e carente, vivida no mesmo ambiente de indivíduos ricos e prósperos.

Tanto é verdade que a maioria desses “defensores do povo”, quando alcança os cumes sociais e do poder, esquece-se completamente das suas propostas de justiça e igualdade.

Eis alguns sintomas interiorizados de inveja que podemos considerar como dissimulados e negados:

- perseguições gratuitas e acusações sem lógica ou fantasiadas;
- inclinações superlativas à elegância e ao refinamento, com aversão
à grosseria;
- insatisfação permanente, nunca se contentando com nada;
- manifestação de temperamento teatral e pedantismo nas atitudes;
- elogios afetados e amores declarados exageradamente;
- animação competitiva que leva às raias da agressividade;

O caráter invejoso conduz o indivíduo a uma imitação perpétua à originalidade e criação dos outros e, como conseqüência lógica, à frustração. Isso acarreta uma sensação crônica de insatisfação, escassez, imperfeição e perda, além de estimular sempre uma crescente dor moral e prejudicar o crescimento espiritual das almas em evolução.

Saiba mais no artigo Inveja 2.

Espírito: HAMMED
Médium: Francisco do Espírito Santo Neto – As dores da alma.


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3 comentários para “Inveja (1)”

  1. Inveja (2 de 2)26 ago. 08 às 09:34
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    [...] Inveja (2 de 2) Continuação do artigo Inveja 1. [...]

  2. Fernanda lobo28 nov. 08 às 11:56
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    Gostei, me trouxe respostas para meu proprio comportamento. Mas fiquei com uma pergunta…

    Como curar a inveja dentro de mim? quero vencer isso a qualquer preço… se for preciso castigar a mim mesmo dever ter uma maneira de corrigir isso. tenho vergonha.

  3. Carlos Q31 dez. 08 às 13:38
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    O conteúdo deste artigo é-me muito familiar. Tenho um irmão mais velho, com uma diferença de idade muito reduzida e que adquiriu este comportamento desde muito cedo.

    Para além de eu ter nascido quando ele ainda não tinha 2 anos, retirando-lhe a exclusividade do amor e da atenção dos nossos pais, à medida que fui crescendo transformei-me numa criança muito extrovertida, com grande sentido de humor e invulgarmente bonita. Estas características canalizavam grande parte das atenções e elogios para mim. Quando atingimos a fase adolescente, comecei a sentir uma grande hostilidade por parte do meu irmão mas sem perceber o motivo. Tinha ataques de raiva em que humilhava de forma muito intensa quem o contrariasse, desde a minha mãe aos meus irmãos e principalmente a mim. Devido ao gosto pela leitura, desenvolveu uma grande capacidade de argumentação e utilizava-a da pior maneira. Naquela fase da adolescência já por si crítica, no que diz respeito à nossa estruturação enquanto pessoas, lembro-me de entrar diversas vezes em depressão por me convencer das acusações que ele me fazia. Na altura dividíamos um quarto e eu não aguentava mais os ataques, as humilhações constantes e as atitudes desrespeitadoras que ele me infringia e decidi interromper os estudos para ir trabalhar e sair de casa. Só muito mais tarde percebi que essa foi a conquista da vida dele. A recuperação da exclusividade do espaço que tinha perdido quando eu nasci, mantendo-se em casa dos meus pais até quase aos 40 anos de idade.

    Passei anos sem falar com ele. Adquiri a minha casa que dividia com uma companheira. Evolui profissionalmente contra todas as expectativas porque não tinha estudos, sendo reconhecido pelos meus familiares e particularmente pelo meu pai como sendo uma pessoa lutadora e conquistadora.

    Entretanto o meu irmão expressava uma visão diferente, explicava o meu êxito como tendo a ver apenas com sorte desvalorizando todas as minhas conquistas.

    Ao fim duns anos o meu irmão reaproximou-se e estabelecemos uma relação dalguma cumplicidade em que nos relacionávamos com bastante frequência. A partir de certa altura percebi que ele tinha uma necessidade enorme de se comparar comigo, relativamente aos meus rendimentos às nossas conquistas. Em simultâneo apercebi-me também da tendência que tinha para falar mal de toda gente, dos irmãos, do pai e dos amigos comuns, com tal gravidade e convicção que me levou a afastar-me de muitas pessoas. Mas reparava que ele próprio estabelecia uma relação cada vez mais íntima com essas mesmas pessoas de quem falava atrocidades. Quando dei por mim, tinha-me afastado da família e dos amigos. Comecei então a perceber que esta atitude do meu irmão, tinha como único objectivo competir comigo em todas as áreas mas principalmente no que diz respeito à atenção da família e dos amigos.

    À mínima contrariação tinha ataques de raiva na presença da família em que de forma quase histérica me fazia acusações gravíssimas mas descontextualizadas. Este tipo de atitude nunca acontecia em frente aos amigos a quem passava uma imagem duma pessoa perfeita e equilibrada.

    Entretanto já com 43 anos, afastando-me outra vez dele, consegui ultrapassar tudo isto, recuperando algum equilíbrio emocional e as minhas amizades. Há pouco tempo reaproximou-se de mim e à primeira oportunidade, numa reunião de família, tornou a atacar-me daquela forma grave, fazendo-me reviver as sensações de depressão e de sentimentos de ódio que tinha na adolescência.

    Enfim, tudo isto para dizer que finalmente percebi que o meu irmão não suporta ver-me bem, equilibrado, feliz, admirado por terceiros. É nessas altura que ele se aproxima e me ataca de forma feroz, sabendo do impacto que isso tem em mim.

    Tive necessidade de documentar e fundamentar a minha teoria, que em tudo coincide com este artigo e que explica o fenómeno da competição e inveja entre irmãos. Isto tem servido também para o desculpar, já que ele neste processo, de certa forma, também foi vítima das circunstâncias. Por outro lado tem servido para eu conseguir controlar o sentimento de ódio que se instalou em mim e que tem vindo a ser substituído por um sentimento de pena…




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