NÃO é Espiritismo: Ramatis, Pietro Ubaldi, Roustaing e Edgard Armond
Por Cirso Santiago
Ramatis, Pietro Ubaldi, Roustaing e Edgard Armond há muito tempo estão na berlinda e seus críticos já dissecaram suas obras de cabo a rabo. Considerei que o que já foi dito bastasse para o público compreender os equívocos que esses escritores cometeram em relação à Doutrina Espírita.
Todavia numa roda de amigos, em que falávamos sobre Espiritismo, veio à baila esses personagens e fiz rápida explanação sobre as trajetórias deles pelo movimento espírita brasileiro. E qual não foi a minha surpresa quando um companheiro, com boa bagagem de conhecimento doutrinário me disse: “Agora, sim, estou entendendo certas críticas referentes a essas figuras. Creio que o grosso do movimento espírita fica um tanto confuso diante das críticas que se fazem a eles porque não os conhecem de uma maneira mais global. Por que você não escreve sobre esse assunto?”.
- Não escrevo, porque não me acho capaz de fazer um trabalho melhor do que aquilo que já está na praça! Foi o que eu disse ao meu interlocutor, procurando eximir-me de tão difícil tarefa. E ele me deu o cheque-mate:
- “Escreva o que você acabou de nos dizer que basta!”
Prometi-lhe refletir melhor sobre a sugestão. Dias após, concluí que a sugestão tinha sua razão de ser e me propus a passar para o papel o seguinte:
RAMATIS
É um Espírito que há muito se infiltrou no movimento espírita brasileiro com a cumplicidade do médium paranaense Hercílio Maes. Juntos, Espírito e médium escreveram várias obras, que deixam muito a desejar quanto a pureza doutrinária. Eis algumas delas: “Fisiologia da Alma”, “O Evangelho à luz do Cosmo”, “Elucidações do Além”, “Magia de Redenção”, “Mediunismo”, “Mediunidade de Cura”, “Missão do Espiritismo” e outras.
Não se pode negar que Ramatis é bastante inteligente e muito sagaz e, portanto, sabe disfarçar seu desconhecimento doutrinário, ou incoerência consciente doutrinária. Logo ganhou adeptos fervorosos e seus livros invadiram o nosso meio. Suas obras não só apresentam senões doutrinários, mas também fortes pitadas de orientalismo, verdadeiros enxertos inconvenientes à Doutrina Espírita. Mas sendo sagaz como é, não deixa de expressar aqui e ali pensamentos razoáveis, com pretensão estudada de confundir o público leigo. Desde sua estréia no movimento espírita nacional a crítica o tem sob sua mira, mas a coisa ficou feia mesmo foi quando veio à lume “Vida no Planeta Marte”, em que ele foi longe demais e desvelou suas fantasias. A crítica especializada desceu-lhe o porrete, mas nessa altura esse Espírito já tinha feito escola por aqui e até hoje há espíritas (ou melhor, pretensos espíritas) que se arrepiam ante qualquer análise desfavorável à obra ramatisiana. No meu conceito Ramatis é espiritualista, mas não espírita.
PIETRO UBALDI
Nasceu na Itália e acabou, graças a alguns mecenas, radicando-se no Brasil. Desenvolveu sua mediunidade à margem dos ditames espíritas. Não sei se ele chegou a estudar as obras kardequianas, se chegou não deve tê-las aceitado integralmente. Kardec nunca lhe foi um paradigma. Ele sempre quis voar mais alto. Tinha idéias próprias e não iria submeter-se à Codificação Espírita. Mas como o brasileiro é um eterno louvador do que vem de fora, Ubaldi em pouco tempo fez aqui grandes amigos espíritas, alguns destes até muito importantes dentro do nosso meio, o que lhe facilitou o seu percurso no Brasil. Certa vez, em Pedro Leopoldo-MG, chegou mesmo a sentar-se ao lado de Chico Xavier para psicografar uma mensagem. Sua linguagem mediúnica, porém, nunca teve a simplicidade e a claridade que vemos na linguagem xaveriana. Ficou por aí apresentando seus ensaios filosóficos que nada tinham com o Espiritismo autêntico. Sua preocupação, na verdade, sempre foi a de criar um movimento próprio: o ubaldismo.
Teve ímpeto de explicar a essência de Deus. Veja só até onde pode chegar um homem incensado. Seu livro de maior alcance foi “A Grande Síntese”. O movimento espírita brasileiro se deslumbrou diante dessa obra. Mas muitos que a leram não a entenderam, apenas louvaram, pois é muito mais fácil louvar do que confessar ignorância. Depois disso, que eu saiba, não saiu mais nada de fôlego de seu lápis que ganhasse a mesma notoriedade de “A Grande Síntese”. Mas ele só caiu mesmo na malha dos críticos mais exigentes quando se revelou adepto do monismo (o que é isso? O Aurélio é quem explica: monismo é Doutrina Filosófica, segundo a qual o conjunto das coisas pode ser reduzido à unidade, quer do ponto de vista de sua substância, quer do ponto de vista das leis lógicas ou físicas, pelas quais o universo se ordena. (O monismo poderá ser materialista ou espiritualista, lógico e físico). Escorando-se nessa tendência Ubaldi criou uma teoria própria que corre paralela ao Espiritismo que nada tem a ver com este. Ao meu ver Pietro Ubaldi foi um espiritualista, mas não espírita.
J. B. ROUSTAING
Foi destacado advogado da Corte Imperial de Bordeaux, na França. A vaidade doentia estava à flor de sua pele. Após ler “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”, ambos de Allan Kardec, meteu em sua cabeça que com o auxílio dos Espíritos Superiores poderia fazer uma obra superior àquelas duas. Note-se que em matéria espírita ele era calouro. Mesmo assim, não demorara a evocar entidades espirituais para efetivar seu sonho: superar Allan Kardec. Ele procurou a médium Emilie Collignon, também uma novata na lide da mediunidade e com sua cumplicidade evocou o Espírito João Batista. Imagine! Logo o precursor de Jesus.
Claro, Roustaing não poderia deixar por menos. Se Kardec se relacionava com o Espírito da Verdade, ele pelo menos tinha que ter à disposição um João Batista. Mas como Espírito não carrega carteira de identidade, o vaidoso advogado foi ludibriado, conforme atesta sua obra “Os Quatro Evangelhos”. Atrás do falso João Batista vieram Moisés e os evangelistas João, Lucas, Marcos e Mateus. Supostamente foram essas figuras do cristianismo nascente que passaram no século XVIII a citada obra a Roustaing, via Collignon.
A obra, além de mistificadora, traz um subtítulo que é verdadeira afronta à Doutrina Espírita: “Revelação da Revelação”. É muita pretensão, pois essa obra não suporta uma simples análise à luz do Espiritismo e não é espírita, pois nem Roustaing, nem a médium, muito menos os espíritos que a escreveram eram espíritas, quando muito eram espiritualistas. Se a primeira condição de uma obra espírita é ter o “imprimatum” da universalidade, “Os Quatro Evangelhos” é refutado aí, pois foi recebido apenas por uma médium. Quando essa obra chegou às mãos de Allan Kardec, ele elegantemente a refutou, insinuando que era uma obra prolixa, pois disse que em vez de três volumes, o que ali está escrito poderia ter sido enfeixado em dois e até mesmo num volume e o leitor ganharia com este enxugamento. Mais tarde, Kardec ainda lembrou-se dela dizendo que houve precipitação em trazer a lume certos assuntos como o corpo fluídico de Jesus e prometeu desenvolver esse tema com maior profundidade. O que de fato o fez em “A Gênese”. E disse que o tempo se encarregaria de aprovar ou não a obra de Roustaing. Na França, ela não teve qualquer sucesso.
Vindo para o Brasil, porém, encontrou aqui os diretores da FEB, da época, receptivos e generosos. Logo a FEB, que se intitula representante mor do Espiritismo no Brasil, introduziu no movimento espírita brasileiro essa obra que representa por razões óbvias o 1º Cisma do Movimento Espírita. Não só a introduziu, como ao longo dos anos vem lhe dando guarida em detrimento à Codificação Espírita. A obra em questão é espiritualista e a FEB se diz espírita. Não é um contra-senso? E ainda para a nossa reflexão, faço aqui uma pergunta que já fiz alhures. Se essa obra foi publicada quando ainda o Espiritismo estava para ser concluído, pois Allan Kardec ainda não havia publicado “A Gênese”, com que fechou a Codificação da Doutrina Espírita, por que os espíritos que a ditaram à médium Collignon não a ditaram para o Codificador? Será que esses espíritos já haviam pulado da barca de Jesus? Isto, no mínimo, é muito suspeito! É bom que se diga que no passado muitos espíritas de renome se diziam roustainguistas. Mas assim que leram a obra de Roustaing calaram-se ou tornaram-se os seus maiores críticos. E alguns até mesmo depois de desencarnados jamais falaram um “o” a favor dela, a não ser dentro da FEB. Será que isso não diz nada?
EDGARD ARMOND
O Comandante Edgard Armond, como era chamado, foi oficial da Força Pública do Estado de São Paulo, hoje denominada Polícia Militar, chegou à Federação Espírita do Estado de São Paulo em 1939. Nessa época, a FEESP dava seus primeiros passos, já que foi fundada em 1936. Homem inteligente e de palavra fácil, o Comandante Edgar Armond foi pouco a pouco conquistando o seu espaço dentro da Instituição Federativa. Lembremos que naquele tempo a literatura espírita era escassa. Existiam os livros da Codificação e além deles um ou outro livrinho de produção independente. A promissora obra de Francisco Cândido Xavier, estava ainda nos seus primeiros degraus. Armond logo constatou isso e começou a escrever uns livrinhos mais simples, próprios para os iniciantes à Doutrina Espírita. Eu diria que a inspiração dos cursos de Espiritismo que até hoje estão em pleno vigor na FEESP nasceu das páginas desses livrinhos do Armond. Cursos esses que estão em todos os quadrantes do movimento espírita brasileiro e quiçá do exterior.
O Comandante Armond chegou, então, à Diretoria da FEESP. E como Secretário Geral organizou a “Escola de Médiuns” e a “Escola de Aprendizes do Evangelho”. Hoje estas escolas acolhem mais de cinco mil alunos. E criou também o passe padronizado que tem causado muita polêmica, porque é um ritual muito distante da prática espontânea, intuitiva que fora exemplificada por Jesus.
Sua bibliografia compõe-se de 25 obras. As que fizeram mais sucesso foram “Passes e Irradiações” e “Os Exilados de Capela”. Foi ele também que trouxe para o nosso meio a “Cromoterapia”, que nada tem a ver com a Doutrina Espírita, mas que hoje está espalhada graças um opúsculo escrito por ele e publicado pela Editora Aliança. Devemos a ele também essa enxertia.
Em maio de 1944, o Comandante Armond fundou o jornal “O Semeador”, órgão doutrinário da FEESP. Apoiado por um grupo de amigos fundou ainda a Instituição Espírita “O Lar do Amor Cristão”, em São Paulo e foi um dos signatários da Ata de Fundação da USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Além da Cromoterapia e do passe padronizado que ainda hoje causam discussões no meio espírita e certamente serão questionados pelas gerações espíritas do futuro, devo ainda mencionar que suas obras estão carregadas de conceitos orientalistas, pois ele foi um grande estudioso das principais religiões orientais. Termos como “chacras” e “carma” e outros de origem oriental foram enxertados por ele no movimento espírita brasileiro.
Há ainda em suas obras um legado místico muito forte que tomou o movimento espírita brasileiro de assalto. Não bastasse o bolor igrejeiro do roustainguismo, o misticismo e o orientalismo do Comandante Armond também trouxeram prejuízos sérios ao movimento espírita brasileiro. Alegando problemas de saúde, Edgard Armond deixou a FEESP em 1966. E o estrago armondista no movimento espírita brasileiro iria se completar com a criação, por ele próprio, da Aliança Espírita Evangélica que nasceu com vocação um tanto velada, a princípio, federacionista e tornou-se em pouco tempo, em nosso Estado de São Paulo, concorrente da USE e da FEESP.
A Aliança Espírita Evangélica é fortemente mística e orientalista e os centros “espíritas” capitaneados por ela são todos místicos e orientalistas, o que traz ao Espiritismo um dano imensurável. Tudo isso é uma pena, pois a herança do Comandante Armond poderia ter sido bem melhor. Essa minha análise, ainda que superficial, me autoriza a considerá-lo também, espiritualista, mas não espírita.
Fonte: espirito.org.br
Comentários
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Cirso Santiago tem razão, as idéias apresentadas por esses ilustres personagens acima, conquanto sejam credoras de nosso respeito, não são espíritas, são espiritualistas. Existindo inclusive casas espíritas que as abrigam e as estudam em cursos regulares, eu inclusive, antes de conhecer e estudar as obras básicas de Kardec, há cerca de 18 anos atrás, já frequentei uma casa ramatisiana (SER) no Rio de Janeiro, onde fui muito ajudado em problema obsessivo que enfrentava. Essas filosofias AJUDAM E EDIFICAM (conforme experiência própria) a criatura sincera em sua fé, fazem bons adeptos que realizam boas obras, ISSO É INEGÁVEL!, mas não são espíritas.
PAZ!
Concordo com o Ricardo. Realmente não são espíritas, mas uma coisa não podemos negar, houve uma contribuição positiva no trabalho de cada um deles. Se por um lado “pecam” em usar o nome espiritismo e espírita, por outro, nenhum deles pretende com seus ensinamentos levar as criaturas para o “inferno”. Dentro de suas limitações, procuram ajudar.
Tudo seria maravilhoso se tirassem o nome espiritismo do meio de seus ensinamentos, faria mais sentido, teria mais coerência e seria mais honesto.
Abraços a todos!
Caro Cirso,
Com muita satisfação li suas palavras, já estava na hora de falar a verdade, pelo menos sobre a Codificação, precisamos “Kardequisar” o movimento espírita, sem igrejismos ou afetações, tenho assistido uma ausência dolorosa do estudo sério em nossas casas, precisamos ler as obras básicas, acompanhar a revista espírita e principalmente, investir no estudo filosófico do Livro dos Espíritos, nossa pedra angular, onde os nossos conceitos são estabelecidos…É a nossa identidade..
Um forte abraço!
Paz esteja em teu coração…
Eu prefero acreditar que estudamos a doutrina dos espiritos, como seres cosmico que somos,ja fomos rotulados catolicos e outros , e hoje estamos se escondendo atraz de outro rotulo chamado espiritas Kardec nos alerta p/q qdo chegar nos novas informação e esssas forem p/melhor p/q nos as encorporassemos a doutrina obrigado pela oportunidade
Ok, não são espíritas. E daí? Qual o problema? Não adianta que se recomende insistentemente a leitura de um livro ou de uma coleção doutrinária. Cada um lê o que mais lhe agrada.
Veja o caso de Ramatis. Esse mestre espiritual sempre enalteceu os livros organizados por Allan Kardec. Mas nem por isto deixou de trazer seus próprios ensinamentos, mais avançados do que as obras primordiais do Espiritismo.
“Avançados”, em termos, pois Ramatis trouxe para o Ocidente, via mediúnica, conhecimentos antigos do Espiritualismo, adaptando-os à mentalidade ocidental. E “adaptando-os” também é maneira de dizer, já que Ramatis nunca fez “festinha” nos nossos desejos humanos (o que acontece em algumas respostas e comentários dos livros da Doutrina Espírita).
Pietro Ubaldi foi um gênio da mediunidade inteligente. Grande sensitivo e um intuitivo avançado. “A Grande Síntese” não veio para humilhar os livros Kardequianos, mas para dar continuidade às revelações do Alto.
Tudo bem, não é Espiritismo. E daí?
O Espiritismo é um avanço do Cristianismo.
Ramatis e Sua Voz (Pietro Ubaldi) são um passo à frente no Espiritismo.
E todos são cristãos. Se não fossem, também não haveria nenhum mal, contanto que seus ensinamentos fossem divinos.
Gosto de Ramatis, Pietro Ubaldi, Kardec e Paramahansa Yogananda. Reconheço que Yogananda é ainda mais avançado que os demais. E daí? Preciso virar um fanático que “só” lê Yogananda?
Nesse caso, eu “só” leria Krishnamurti e Eckhart Tolle – que trazem o ensinamento mais puro e perfeito que já pude conhecer.
Qual a diferença entre espiritismo e espiritualista?
Muitos vão dizer que espiritismo é a doutrina que segue as obras de Kardek! Mas esquessem que Karde não fundou uma religião, fez um trabalho cientifico.
Ele mesmo falou que a obra não acaba com as obras basicas. As obras falam do mundo espiritual como tantas outras religiões ditas por muitos puristas que nao são espiritas porque aceitam novas informaçoes que nao estao nas obras de Kardek.
Me pergunto se não estao caindo nos mesmo equivocos dos dogmas da igreja catolica?
Me pergunto tambem por que a obra vida no planeta marte é mais fantasiosa que a obra nosso Lar?
Penso que antes de estarmos subdividindos pensamentos ou elitizando, classificando … esse é espirita esse é espiritualista… devemos nos ater nas menssagens de amor e fraternidade.. nos são enviadas… sempre passando pelo crivo da razão…
Mas nunca utilizando dois pessos e duas medidas…
Nosso Lar e a Vida no planeta marte são muito similares.. a diferença é que uma foi escrita por Chico e é uma cidade astral terrena (não em momento algum é citada nas obras de Kardek) e a outra por Hercilio Maes e se passa em Marte…
Quem realmente pode afirmar que não é possivel se em o livro dos espiritos existem questões afirmando que a vida em outros planetas… Se não vimos o mundo espiritual aqui porque devemos ver em Marte?
Meus caros irmãos convido a todos a pararmos de nos conssiderarmos ESPIRITAS e cheios de razão… os senhores das leis os dententores da verdade… Isso não vos lembra algo? (Jesus e os senhores das leis)
E nos atermos a pratica da caridade sem julgamentos…
Luiz Carlos é coerente, pensa com a razão transcendente.
Exclui o sectarismo.
Não conheço o Sr. Marcelo Sartor, mas reconheço que fez observações muito pertinentes a respeito do assunto “não é espíritismo”. O fato de uma escola espiritualista não se limitar ao pensamento de Allan Kardec, não significa que o exclua. Eu mesmo frequentei a Sociedade Espírita Ramatis e os melhores palestrantes, durante o tratamento ou curso inicial, esclarecem que a S.E.R. é uma escola de verdades espirituais. Procurar classificações ou definições nesta área lembra muito aquilo que a Igreja Católica fez durante a Idade Média, buscando hereges entre aqueles que tiveram coragem de acrescentar ou trazer algo de novo à exegese daquilo que deveria ser considerado cristianismo ou não. Além disso, faltou um livro essencial para ser lido por todo espírita: a Bíblia. Sim ! A Bíblia que chegou até nós a partir do trabalho de muitos monges, por volta do século V, e graças a invenção do Sr. Gutenberg no séc. XV. Sem a invenção da imprensa, como poderíamos pesquisar as fontes do “Evangelho Segundo o Espiritsmo” ? O próprio Kardec precisou ler a Bíblia para escrever sua obra e o “Livro dos Espíritos” está repleto de citações de São Luís, Tomás de Aquino, Santo Agostinho e outros personagens, católicos ou não, como Platão. Fica a pergunta: Platão, São Paulo, São Luís eram espíritas ? Não, mas o seu pensamento psicografado ajudou o desenvolvimento da doutrina espírita. Enquanto muitos estão querendo acrescentar, enriquecer a doutrina espírita, outros parecem estar mais preocupados em criar polêmicas estéreis, dividindo o movimento espírita. Lembremos das palavras de Paulo de Tarso: não nos prendamos à letra que mata, mas ao espírito que vivifica; conheçamos de tudo, fiquemos com o que há de bom. Todos nós iremos encontrar em quase todas as grandes religiões pensamentos e ensinamentos que se assemelham. Aprendi muita coisa boa, lendo alguns livros de Ramatis; em momento algum, achei que estes contradiziam a obra de Kardec, médico do séc. XIX preocupado em dar um caráter científico às pesquisas sobre fenômenos que, até então, eram incompreensíveis à luz da ciência materialista, que então ganhava força, ou vistos como coisa do diabo pela Igreja Católica ( e outras igrejas, diga-se de passagem.
O que talvez incomode a muita gente na obra de Ramatis é a sua preocupação com a disciplina física e moral do médium. Seus ensinamentos sobre vegetarianismo e sobre outros temas incomodam, porque têm base em experiências científicas não-materialistas. O pensamento científico voltado exclusivamente para o bem-estar do ser humano não é bem visto por Ramatis.
O articulista esqueceu de mencionar um grande espiritualista que só há poucos anos está sendo lido por pedagogos e médicos, preocupados com crianças com necessidades especiais. Como o articulista classificaria o Professor Rudolf Steiner ? O articulista acha que nada de novo sobre a espiritualidade foi escrito depois de Kardec ou vai ser escrito para o bem da humanidade ? Se Kardec fundou uma religião (estranho tal pensamento, não ?), Jesus não fundou religião alguma, mas como é difícil seguir com autenticidade seus ensinamentos !
A quem interessa criticar a obra de Ramatis, psicografada por um médium morto, o Sr. Hercílio Maes ? Por que o sítio não se preocupa em criticar o médium, em vez do espírito ? Estranho, muito estranho um site quase exclusivamente preocupado em criticar a obra de Ramatis. A quem interessa ? Por que interessa ? Qual o objetivo ? Quem ganha com tal crítica ?
Foi ótimo o esclarecimento do irmão Marcelo Sartor.
É triste saber que existem muitos “espiritas ortodoxos”.
Vamos deixar de lado o preconceito e analisar com o crivo da razão.
Zé Luiz
Amigo Cirso, antes de criticar Edgar Armond se inscreva e vá fazer o Curso da Escola de Aprendizes do Evangelho na Aliança Espírita.
Acho que o Sr. Marcelo Leite, responsável por este sítio e pelos artigos veiculados ao sítio, deve tornar público aos comentaristas dos artigos em que a obra de Ramatis é criticada, se ele fala em nome da presidência da FEB, última instância para dizer oque é ou não espiritismo.
Caros amigos, Jesus não discutia assuntos polêmicos.
“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”
Cada um, de acordo com seu livre arbítrio, lê o que quer, segue o que quer e é dono do seu futuro.
O Sol nasceu para todos. E Jesus disse: Quem tiver olhos que veja e quem tiver ouvidos que ouça.
Eapós ver e ouvir que separem o joio do trigo.
Que a luz de Jesus nos abençoe a todos, para que procuremos elevar nossos corações e nossos pensamentos para ele, não importa o caminho.!
Concordo em parte e discordo em muitos pontos. As críticas são valiosos instrumentos para se apurar a verdade.
Ninguém está totalmente certo por dizer que Ramatis, Ubaldi, Roustaing e E Armond não são espíritas visto que a própria FEB que quer ser o PAPA do Espiritismo no Brasil e no mundo através do seu CEI (conselho espírita internacional), adota o mais antagônico do Kardecismo, o senhor Roustaing. Este sob inspiração de espíritos católicos, ressuscitou as idéias DOCETAS, que atribui a Jesus um corpo aparente de carne, ou seja, um corpo fluídico. Pois, para esses espíritos o Cristo (enviado de Deus) não podia nascer de um ato natural de um casal, visto que, segundo eles, sexo é coisa imunda e pecaminosa. Mas esses espíritos se esqueceram que Jesus disse: “não vim destruir a lei”, ora, se de fato Jesus tinha um corpo fluídico, a lei da procriação foi completamente destruída e desrespeitada por Ele.
Quanto ao comandante Edgar Armond o que tenho a dizer é que, se esse é espiritualista e não espírita como dizem, porém usa sua espiritualidade baseando-se nos ensinos filosóficos e morais da Codificação para auxiliar as pessoas que procuram seus centros adeptos, que tem demais nisso?
Na Escola de Aprendizes do Evangelho (EAE) a base são os livros: O E. Segundo o Espiritismo; Livro do Médiuns; Livro dos Espíritos; A Gênese e completados com Sinal verde, Agenda Cristã, Pão Nosso, Vinha de Luz etc…
Será a questão da Apometria, da cromoterapia, dos passes padronizados? Isso é criação da Doutrina Espírita? Claro que não e todos da Aliança sabem disso. Mas vamos por partes: O passe, a água fluidificada, é orientação da Codificação? Quem pratica isso dentro das casas Espíritas, não estão em erro? Visto que em nenhum livro do Codificador se encontra referência sobre esse tema? Ora! Minimizemos as críticas e vamos ser mais coerentes. Se Edgar Armond usa aquelas técnicas para aliviar o sofrimento de irmãos em deploráveis processos obsessivos, esse ato de caridade desfigura a Doutrina Espírita? Então o passe e a água fluidificada incorrem no mesmo erro, visto não ser uma orientação da Codificação Espírita, como já frisei.
No meu ver tem muita gente pura demais dentro do espiritismo que está ofuscando a sua própria luz.
Cezar, está equivocado. Passe e água fluidificada estão sim na codificação: Livro dos Médiuns. Na Revista Espírita também há referência.
Fiquei muito triste ao ler este artigo, pela característica de ”ataque” que predominou na coluna escrita pelo companheiro. Essa mania incessante que nós, espíritas, temos de querer saber tudo e não admitirmos nada além do nosso curto entendimento é um tanto quanto lamentável. Salve os companheiros citados na coluna pelos seus trabalhos, e se eles se equivocaram, reencarnarão e repararão o erro. Quanto a nós, cabe tentar fazer pelo menos um pouquinho do bem que eles fizeram a muitas pessoas que sofriam e foram consoladas ao ler suas obras. Já disse André Luiz: ”Não critique, auxilie”.