O que significa ser chamado? O que é o chamado?
Julius Flavius Morais Magliano
Pedimos licença para com este texto, convidar os leitores, principalmente os iniciantes na doutrina, para uma reflexão acerca do tema concernente ao título, tentando aqui abordar os principais processos e dificuldades a ele pertinentes.
Iniciaremos nossa reflexão falando sobre esta expressão muito usada no meio espírita, de vez que freqüentemente ouvimos algum orientador, livros, ou até mesmo o plano espiritual, em comunicações mediúnicas, afirmar: – “fulano tem um chamado grande” – ou ainda – “chegou a hora, você está sendo chamado.”
Jesus na Parábola da Festa de Núpcias (Evangelho S.E., cap. XVIII) após todo o ensinamento moral que ela nos traz, conclui com a frase – “Porque são muitos os chamados e poucos os escolhidos.”
A Obra já citada, explicando a parábola nos traz a informação de que Jesus compara o Reino dos Céus, onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa nupcial, onde o rei convida os homens para sua festa, primeiramente convidando aos judeus, pois foram os primeiros a conhecer as leis morais pregadas pelo Cristo, depois convida a todos os homens, bons ou maus; porém, muitos ignoram o convite, e outros, embora indo a festa, não usam a veste nupcial, então, manda o rei que eles sejam lançados às trevas exteriores concluindo por fim Jesus: “aí haverá choro e ranger de dentes. Porque são muitos os chamados e poucos os escolhidos.”
Respondendo então a pergunta proposta, e, guiando-nos por esta parábola do Evangelho, podemos concluir que o chamado é o processo pelo qual as verdades eternas trazidas por Jesus se mostram diante de nós, chamando-nos à responsabilidade, assim como na antiguidade, foram trazidas aos homens da época pelo próprio Cristo, que, infelizmente, na sua maioria, não conseguiram entender o seu significado, ignorando o convite feito por Jesus.
Este convite continua até os dias de hoje, pois o Mestre com sua magnânima sabedoria, sabia que todo o ensinamento por ele trazido não seria compreendido pela humanidade durante o breve período em que ele esteve na terra, legando a missão de difundi-lo primeiramente para os seus apóstolos e posteriormente para todas as religiões cristãs, onde se encontra o Espiritismo, cuja doutrina nos chama à responsabilidade para um Cristianismo ativo e não meramente de forma, nas palavras do próprio Cristo “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade do meu Pai” (Evangelho S.E., cap. XVIII item 6) – enfatizando-se aqui, que o verbo utilizado foi “fazer” e não simplesmente crer ou dizer.
O chamado então é o momento em que a Sabedoria Divina, através dos mentores amigos, nos aproximam de situações e ocasiões onde as leis morais do Evangelho trazidas pelo Cristo, se descortinam à nossa frente, como se uma força nos disseste: – “amigo olha estas verdades e acorda, pois a vontade do Pai é que te salves, é por isto que ele te dá estes sinais e oportunidades, mas a escolha cabe a ti.”
Porém, ninguém de bom senso espere que em determinado dia, um arauto do céu desça com uma correspondência divina nos chamando, ou, necessariamente, que um amigo do plano superior tenha que se dirigir pessoalmente a nós e fazer o alerta (embora, às vezes, isto possa acontecer, o que aumenta ainda mais a responsabilidade do indivíduo), como dizem os amigos espirituais, “é preciso que se tenha olhos de ver e ouvidos de ouvir.”
Não poderíamos aqui, delimitar de forma objetiva como se processa “o chamado” com cada indivíduo, por se tratar de algo peculiar a cada pessoa, pois cada um possui o seu momento e situação em que se lhe desperta a responsabilidade moral, podendo isto ocorrer de várias formas, através do convite de um amigo para participar de um curso ou palestra espírita, através da leitura de livros que despertem o interesse, ou ainda com a ocorrência de situações de sofrimento, onde procurando a causa e a solução das suas dores, o indivíduo acaba por encontrar muitas das explicações que procura no Evangelho.
O que ocorre é que sentimos em nós a necessidade de ir ao encontro das verdades morais, o nosso entendimento começa a se ampliar para estas questões, começamos a perceber o sentido de nossa existência, que não estamos neste planeta a passeio ou simplesmente para conquistar os valores da terra. E que estes valores são meios, e não fins em si próprios, descobrindo que nos ensinamentos deixados por Cristo encontraremos roteiro seguro para atingir o fim verdadeiro de nossa existência (ou conforme prega a Doutrina Espírita, de todas nossas existências) que não é outro se não a salvação de nossos espíritos através da caridade, pois, conforme pregou o Mestre: “fora da caridade não há salvação.”
Outra questão na qual muitos se indagam, seria: E quanto a mim, será que estou sendo chamado? – Talvez ainda não seja minha hora de encarar estas verdades – possuo muitos afazeres e responsabilidades, ou ainda, não possuo maturidade suficiente para isto. Como saber se estou sendo chamado?
Ora, todo aquele que já ouviu o Evangelho e foi tocado por suas lições, todo aquele que já tem o entendimento de discernir sobre as palavras do Mestre e o bem que ela nos traz, já está sendo chamado, pois, o que mais lhe seria necessário? Se o indivíduo se faz tais perguntas, é porque já sabe que será necessário atender ao chamado do Cristo, em algum momento em sua existência; e, se já sabe desta necessidade, somente tem dúvidas em relação à quando começar, lembramos aqui a máxima trazida pelo Mestre: – “não deixeis para a amanhã o bem que podes fazer hoje.”
E se nos consideramos muito ocupados para o convite do Senhor, será que não estaríamos trocando os fins pelos meios, não queremos com isto dizer que deva o cristão olvidar as suas responsabilidades profissionais em nome do Cristo, o que seria em verdade uma irresponsabilidade e com certeza não é isto que Jesus nos pede.
Porém, considerando nossa atual ocupação, e se o mundo nos oferecesse situação que nos demandasse dispor de mais algum tempo, e tal situação nos fosse trazer dinheiro, divertimento ou qualquer outro valor do nosso interesse, certamente arranjaríamos tempo para ela! E quão tolo somos não? Pois, o Senhor nos oferece a salvação do nosso espírito e dizemos-nos ocupados, porém se o mundo nos oferece qualquer destes valores perecíveis com o tempo, arranjamos um jeito de buscá-los, nos portando como os homens da parábola da Festa de Núpcias que deixaram de comparecer ao banquete alegando que tinham de cuidar dos seus campos e de seus negócios.
Lembremo-nos também da parábola do Trabalhador da Última Hora (Evangelho S.E., cap. XX), onde os espíritos amigos, explicando o seu sentido dizem: “O trabalhador da última hora tem direito ao salário. Mas, para isso, é necessário que se tenha conservado com boa-vontade à disposição do senhor que o devia empregar, e que o atraso não seja fruto de sua preguiça ou de sua má vontade. Se tivesse, entretanto, recusado o trabalho a qualquer hora do dia; se tivesse dito: ‘Tenham paciência; gosto de descansar. Quando soar a última hora, pensarei no salário do dia. Que me importa este patrão que não conheço e não estimo? Quanto mais tarde, melhor!’ Nesse caso, meus amigos, não receberia o salário do trabalho, mas o da preguiça.”
Atentemos à explicação trazida pelo Espírito da Verdade, onde o trabalhador da última hora, mesmo tendo trabalhado menos que os primeiros, fará jus a recompensa igual à deles, desde que, o seu atraso não seja em virtude de sua negligência, ou seja, a partir do momento em que o indivíduo tomou conhecimento de que havia trabalho, foi à lavoura, pois estava à disposição para o trabalho, só não fora antes, porque não sabia, porque ainda não havia ouvido o chamado do Mestre. Porém, ao ouvir o chamado do seu mestre, se recusa a trabalhar, deverá arcar com o peso da oportunidade desperdiçada.
Conforme o próprio Evangelho esclarece a respeito desta parábola, nós os espíritas, somos estes trabalhadores da última hora, façamos força então para que sejamos este trabalhador, que chamado no último instante, ouviu o chamado do mestre e correu para trabalhar em sua vinha, pois, “ … há quantos séculos o senhor vos chamava para a sua vinha, sem que aceitasse o convite?…” (Evangelho S.E., cap. XX, item 2).
Por fim, após ouvir o convite do senhor, cabe-nos então colocá-lo em ação, que é indubitavelmente o mais difícil. Quantos não se deslumbram em um primeiro momento com a beleza dos ensinamentos morais do Evangelho enchendo-se de entusiasmo, porém, com o passar do tempo acabam por se desviar do caminho inicial, pois conforme dita o Evangelho explicando a parábola da Festa de Núpcias, “não basta ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem tão pouco, sentar-se à mesa para participar do banquete celeste. É necessário, antes de tudo, e como condição expressa, vestir a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a lei segundo o espírito, pois essa lei se encontra inteira nestas palavras: Fora da caridade não há salvação…” (Evangelho S.E., cap. XVIII, item 2).
Pois então, que os que ainda não ouviram ouçam, e os que já ouviram trabalhem na construção de suas vestes, porque se aqui na terra até as vitórias mínimas requerem esforço, quanto esforço não será necessário para a conquista da vitória suprema, que é a nossa salvação e a entrada no reino dos céus, mas fortaleçamos nossa Fé e caminhemos que um dia, isto irá acontecer, e então gozaremos da imensa felicidade de poder colher o fruto do nosso esforço e trabalho.
Comentários
1 comentário para “O que significa ser chamado? O que é o chamado?”
Aprenda a colocar sua foto nos comentáriosNão serão aceitas mensagens:
1. com conteúdo difamatório, racista ou de incitação à violência;
2. com linguagem grosseira, obscena ou pornográfica;
3. anônimas ou assinadas com email falso;
4. fora do contexto do blog.






Ótimo texto!Precisamos mesmo despertar para nossas responsabilidades,e atender ao chamado que o Cristo nos faz através de seu Evangelho á luz da Doutrina espírita.