Sem ilusões. A cada dois dias uma igreja é aberta em SP
Vladimir Polízio
Por que ser espírita?
Por essa pergunta pode-se pensar que se esteja querendo fazer apologia sobre os benefícios oferecidos pela Doutrina dos Espíritos. Não é bem isso, exatamente.
Em recente conversa com um grupo de pessoas amigas, percebeu-se a surpresa com que foi recebida a informação de que os centros espíritas integram a fé cristã.
Por esse desconhecimento demonstrado da parte desses ‘cristãos’ é que se chega a outras situações de importância, também desconhecidas, que acabam iludindo o crente que acredita estar seguro das informações religiosas que lhe são passadas.
Lembramos de André Luiz, em seu quarto livro de instruções nominado ‘Obreiros da Vida Eterna’, oriundo da mediunidade de Chico Xavier, quando um dos irmãos que lá se encontram, igualmente médico, assim se manifesta sobre a morte:
“Sempre supus que após a morte do corpo nada mais teríamos a fazer, além de cantar beatificamente no céu ou ranger dentes no inferno, mas a situação é extremamente diversa. Impossível que a vida estivesse circunscrita ao palco de carne, onde o homem desempenha os mais extravagantes papéis, em múltiplas atitudes cênicas, desde a infância ate a velhice. Algo deveria existir, sempre acreditei, além do necrotério e do túmulo. Encontrei a vida em si mesma, com o mesmo sabor de beleza, intensificação e mistério divino. Transferimo-nos de residência, pura e simplesmente…“.
Por essa expressão racional e lúcida de quem se encontra no plano espiritual, vê-se que o constrangimento submetido em face dos enganos a que foi conduzido é manifestado nesta seqüência:
“Entretanto, e é lamentável reconhecê-lo, nem a Ciência nem a Religião nos prepararam convenientemente para enfrentar os problemas do homem desencarnado. Vim com todos os sacramentos e passaportes da política religiosa, passados em solenes exéquias. Creio, todavia, que o serviço diplomático de minha igreja não está bem atendido no céu. Não trouxe bastante documentação que me garantisse paz na transferência. Em vão, reclamei direitos que ninguém conhecia e supliquei bênçãos indébitas“.
É lamentável o quadro decepcionante vivido por esse espírito, que esperou ser recebido com as honrarias que lhe foram prometidas quando em vida na Terra. Mas não é o único a sofrer essa frustração angustiante.
As autoridades religiosas que dirigem os destinos das igrejas cristãs prosseguem, com intensidade e fervor, mas não com objetivos esclarecedores e salvadores de seus fiéis. Buscam, sim, e cada vez mais, mostrar aos seus seguidores – e não são somente os humildes, os mais simples ou os menos abastados – que é possível conseguir a felicidade plena para usufruir no paraíso prometido, oferecendo ‘pacotes fechados’ em troca de pagamentos amoedados, para os que pretendem encontrar, no outro lado, a sonhada recepção e tratamento categorizado por inúmeras estrelas, como o são os hotéis terrenos. Sem contar, é claro, os carros de luxo, mansões flutuantes, palácios, posições financeiras inimagináveis, etc.
E é isso o que vemos hoje: os que ‘brincam’ e ‘enganam’. São mais de cinco mil denominações de igrejas cristãs que existem espalhadas por todo o país, e que têm sua estrutura independente.
Em ampla matéria veiculada no jornal “A Folha de S. Paulo” de 2006, é afirmado que a cada dois dias uma igreja é aberta em São Paulo. Naturalmente isso acontece para suprir as lacunas deixadas pois, se estivessem todos satisfeitos, não estaríamos vendo essa enxurrada de denominações para abrigar os ‘desgarrados’ do aprisco.
Essas ‘igrejas’ não esclarecem o desprevenido seguidor. Promovem, isso sim, o seu sucesso – e entenda-se aqui o patrimonial e financeiro – e isso é francamente observado pela expansão rapidíssima com o aumento do espaço físico e do número de templos em atividade. Não são levadas em conta as igrejas irregulares instaladas em salões, que não são poucas, e as que funcionam em garagens de casas, envolvidas com o mesmo manto da clandestinidade. E tudo em nome do Senhor!
Fonte: Jornal dos Espíritos
Comentários
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HAVERÁ FALSOS CRISTOS E FALSOS PROFETAS!POBRES IRMÃOS QUE MERCADEJAM COM A FÉ E A CREDULIDADE ALHEIAS,SERÃO CONSTRANGIDOS PELA LEI MAIOR A DOLOROSOS RESGATES.PAZ!
Vejamos o lado interessante da notícia: é preferível ter uma igreja nova a cada dois dias, a ter um novo bar por mês.
Os botecos se multiplicam que nem lebres… e a gente se preocupa com o aumento das igrejas!
Santa Teresa de Ávila multiplicava conventos e mosteiros sob a proteção da Igreja inquisidora. E daí? Será que dessas construções não brotou nada de santificado? Claro que sim! Pois se até nas tabernas havia artistas sublimes (infelizmente meio desorientados)…
Muita gente que frequenta as novas igrejas pode estar dando um importante passo para a libertação. E alguns podem ter trocado as drogas pela “Casa de Deus”.
Abraços,
RW
Leiam “O Diabo Riu” da editora Mithos Boock. É oportuna essa leitura que explica também essa questão do crescimento como lebres das chamadas igrejas evangélicas,