Dor gerada pela fraqueza moral não é castigo de Deus

Eliana Thomé

faixa-de-gazaEm plena virada de ano a humanidade foi surpreendida pelo conflito armado no Oriente Médio, envolvendo israelenses e palestinos. A confraternização universal inspirada pelo dia 1º de janeiro foi então substituída por mortíferos foguetes e violentos bombardeios, que, juntos, construíram um cenário aterrador de dor e medo junto à população civil, a principal vítima.

Olhando tanta destruição na faixa de Gaza, onde buscar nesse instante o ensinamento maior de amor deixado pelo Mestre Jesus ou a compreensão do perdão diante do momento histórico escrito pela falência moral dos homens?

Allan Kardec pergunta oportunamente na questão 742 de O Livro dos Espíritos o que impele o homem à guerra? Ao que os Espíritos responderam: “Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões.

E vão mais além os amigos do Espaço, alertando que à medida que o homem progride menos frequente se torna a guerra, porque ele lhe evita as causas, fazendo-a com humanidade, quando a sente necessária.

Ora, buscando mais amparo nos ensinos dos espíritos vemos na Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (item 6), que Deus só se comunica com os homens por intermédio dos Espíritos puros, que são os incumbidos de lhe transmitir as vontades.

E a vontade maior de Deus, segundo nos ensinou o Messias, é o aprendizado do Amor. Em mensagem no capítulo 11 do mesmo Evangelho, Fénelon (François de Salignac de la Mothe, orador, escritor e prelado francês do século 17) pede que não acreditemos na esterilidade e no endurecimento do coração humano, pois ao contato com o amor verdadeiro, ele finda por ceder.

Confiando sempre na força do amor, acrescenta o Espírito que a Terra, orbe de provação e de exílio, será então purificada por esse fogo sagrado e verá praticados na sua superfície a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício, virtudes todas filhas do amor.

Assim sendo, a Confraternização Universal representada pelo dia primeiro de janeiro, é o lembrete simbólico que as leis de Deus exigem cumprimento e obediência. E o que hoje é obrigação para nós, tornar-se-á, no futuro, na passividade dos bons sentimentos, que haveremos de conquistar, um exercício natural do amor praticado.


Assim refletindo, conclui-se que o Amor só será possível com o incentivo da vontade. A humanidade carece de vontade. Não das vontades fúteis e perigosas, onde a vaidade e o orgulho se escondem sorrateiros, e onde a ganância pelo poder aniquila tudo que encontra pela frente, mas aquela vontade que modifica, reconstrói, age e move.

Encontramos essa vontade atuante na questão 38 de “O Livro dos Espíritos”, quando Allan Kardec indaga como Deus criou o Universo. A resposta é precisa: “Para me servir de uma expressão corrente, direi: pela sua Vontade. Nada caracteriza melhor essa vontade onipotente do que estas belas palavras de A Gênese – Deus disse: Faça-se a luz e a luz foi feita.

Se nada conseguimos ainda nesse quesito, embora dotados de inteligência e razão, é porque carecemos de melhor disciplinar a nossa vontade no atendimento às leis divinas. O choque daí advindo faz com que padeçamos rudes provas e demoradas expiações durante várias encarnações.

A dor gerada pela fraqueza moral, não é castigo de Deus, mas colheita natural realizada pelo filho rebelde, imprevidente e preguiçoso, quando não violento. Assim, a falta de Amor e de uma vontade ativa que promova uma reforma interior, constitui não somente o ponto crucial dos conflitos e das dores de toda espécie, como retardam grotescamente a caminhada humana em direção ao Pai.

Tudo parte da insubmissão humana à vontade do Senhor do Universo, pois a liberdade de agir de que somos dotados, embora relativa, deve ser bem empregada e, sobretudo, melhor direcionada.

Devemos sim acreditar no Amor e na Esperança, sentimentos verdadeiros e atuantes. Pois quando movidos por uma vontade firme, renovada no Evangelho, constituem um campo incessante de trabalho e de aprendizado. Elementos essenciais de evolução, sem guerras, disputas ou ódios.

Voltando os nossos pensamentos para conflito militar na faixa de Gaza, que se desenrola há mais de três semanas, lembremos-nos dos ensinamentos maiores da questão 745 de “O Livro dos Espíritos” sobre o que se deve pensar daquele que suscita a guerra para proveito seu: “Grande culpado é esse e muitas existências lhe serão necessárias para expiar todos os assassínios de que haja sido causa, porquanto responderá por todos os homens cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição.

Fonte: Jornal dos Espíritos


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